quarta-feira, agosto 09, 2006

Contos de Praia (II)

"Sou um jovem que passa os dias enfiado no quarto, em frente ao computador ou à televisão. Podem chamar-me viciado, mas quando o tempo lá fora está cinzento, não me apetece sair. As únicas vezes que saio de casa, espontâneamente, é para ir à praia.
Toda a gente sabe que a praia transmite tranquilidade, paz e nos mostra o que a natureza tem melhor, mas não é só isso, faz-me ser melhor pessoa e dá-me inspiração. Quando vou para a praia, levo o meu material de pintura e estou ali horas a pintar a paisagem que os meus olhos vêem. Pode ser o horizonte, uma gaivota no seu ninho, um barco à vela ou, simplesmente, uma pessoa.
Há alguns meses, estava eu na praia, em busca de alguma coisa que me suscitasse alguma inspiração, quando me deparo com uma bela rapariga de olhos claros e pele morena. Podia ser só mais uma rapariga na praia, de bikini azul, mas não, para mim aquela rapariga era especial e não me perguntem porquê, a isso não sei responder.
Decidi pintá-la, mas ela acabou por ver o que eu estava a fazer e veio ter comigo.
- Olá, reparei que tens estado a olhar para mim, ao mesmo tempo que pintas, por acaso não me estás a pintar, pois não?! - disse-me ela, enquanto eu corava.
- Hummm...olá...bem, eu...costumo vir aqui muitas vezes e trago sempre o meu material de pintura... - disse eu envergonhado com toda aquela situação.
- Posso ver? - perguntou ela ao mesmo tempo em que se punha atrás de mim para tentar ver.
- Não está muito bem...eu ainda não acabei...e... - disse eu atrapalhado, mas ela tirou-me o retrato das mãos e sorriu.
- Uau! Que gira que eu estou! és um grande pintor, sabias? Devias ter os teus trabalhos expostos nalguma galeria, algum museu ou qualquer coisa do género.
- Obrigado, mas não sou assim tão bom como dizes, sou amador. Faço isto porque gosto e tu és bem mais bonita ao vivo. - (nem sei como fui capaz de a elogiar, geralmente sou muito tímido nestas coisas)
- Aprende a dar valor a ti próprio e não sejas tão exagerado quando falas sobre mim. - disse ela sorrindo e com tom irónico.
Quando lhe ia perguntar como se chamava, as amigas chamaram-na insistentemente e ela apressou-se em ir embora.
- Tenho de ir, as minhas amigas estão a chamar-me. Não vivemos aqui perto, ainda temos de apanhar o autocarro. Bem, já não devo voltar mais a esta praia, aliás, foi a primeira vez que aqui estive. Secalhar não nos vamos falar mais... Obrigado por te teres lembrado de me pintar e pelos elogios. Vou-me lembrar sempre de ti. O rapaz que me pintou na praia (risos).
E depressa se afastou, a correr para junto das amigas...e foi-se embora. Não me deixou despedir dela, não me disse o seu nome...fiquei apenas com o seu retrado pintado a aquarela, para me lembrar sempre!
Gostaria de a voltar a ver, pelo menos para saber o seu nome. Sei que vai ser muito difícil, só se o destino deixar!"

2 Comments:

Blogger João de Matos said...

O destino é feito por nós...

19:06  
Blogger Liliana said...

Gostei muito do texto! Bonito!

Só não concordo muito com o João, mas isso é outra coisa. :)

22:13  

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